OS SACRAMENTARIOS


1.- Sacramentário Leonino (ou de Verona): este manuscrito encontra-se na biblioteca capitular de Verona (codex LXXXV); foi descoberto em 1713.

    ORIGEM E DATA DO MANUSCRITO: primeira metade do séc. VII (cerca do Ano 560), no Norte de Itália, talvez em Verona.
O manuscrito que chegou até nós está incompleto (mutilado no princípio), começando com a Festa de S. Tibúrcio, a 14 de Abril (há uma Edição mais recente, por L. C. Mohlberg, O.S.B.,
«Sacramentarium Veronense», Roma, 1956). Os autores do «Sacramentário de Verona» foram os Papas entre os séc. IV e VI. Todavia, foi possível identificar alguns formulários: por ex., do Papa S. Leão Magno (440-461) Prefácio da SSMª. Trindade, a prece da Consagração das virgens, uma Missa da Ascensão (a 6.ª), talvez a prece Consecratória das Sagrações Episcopais e das Ordenações dos presbíteros; do Papa Gelásio (492-496) dezoito Missas; do Papa Virgílio (537-555) nove Missas da sua Ordenação e Aniversário, sessenta Missas do cerco de Roma (entre Fevereiro de 537 e Março de 538). O texto mais antigo deste Sacramentário é o do enterro do Papa S. Silvestre (em 335).

    A lista dos textos identificados encontra-se na pg. LXIX da Edição do Sacramentário, embora alguns sejam problemáticos. Na pg. CII está a lista das orações deste Sacramentário, que se encontram no antigo Missal Romano (Missal Tridentino): estas orações estão cifradas por uma letra «L» (Leonino), ou «V» (de Verona) e por um número, correspondente a cada oração.

2.- Sacramentário Gregoriano: S. Gregório Magno (há uma Edição crítica deste Sacramentário por Jean Deshusses, Fribourg, 1971).


3.- Alquino: foi Ministro da Cultura, no tempo de Carlos Magno; a ele se atribuía a autoria do «Suplemento» do «Sacramentário Gregoriano». Todavia, hoje em dia, essa hipótese parece estar posta de parte, atribuindo-se o documento a um monge de nome Witiza S. Bento de Aniana.

CONTEUDO DO «SUPLEMENTO»: tem uma introdução (ou «Prefácio hucusque»), em que o autor explica as razões da elaboração do trabalho:

·                            Liturgia Baptismal (na Vigília Pascal e na Vigília de Pentecostes);

·                            Missas dos Domingos «per annum» (depois da Epifania, depois da Páscoa e depois do Pentecostes);

·                            Comum dos Santos;

·                            longa série de Missas Votivas;

·                            Liturgia da Penitência e dos enfermos;

·                            Liturgia dos funerais (seguida de Missa);

·                            Bênçãos (uma série de vários formulários);

·                            Orações da manhã e da tarde;

·                            Exorcismos sobre os «energúmenos» (possessos).

Só este Suplemento passou ao Missal Romano; tem um appendix, com vinte e um Prefácios, uma colecção de cinquenta e duas Bênçãos Episcopais e textos para as Ordenações menores e dos subdiáconos.


4.- «Sacramentário Gelasiano»: é de tal modo importante este Sacramentário, que havia a Liturgia do tipo Gelasiano: uma Missa deste tipo tem, pelo menos, duas orações antes da «Secreta». De um modo geral, tem um «Prefácio» para cada Missa e tem sempre uma Oração «super populum». Desta Liturgia, chegou até nós apenas um manuscrito célebre o «Vaticanus reginensis, 316».
O único manuscrito do
«Sacramentário Gelasiano», que chegou até nós foi copiado em Paris, cerca do Ano 750: representa a Liturgia de um título de Roma de meados do séc. VII, tirados os acrescentos. Esses acrescentos são:

* Ritual das Ordenações;

* Ritual da Consagração das virgens;

* Ritual da Sagração da Igreja;

* Ritual dos funerais.

Existe uma Edição crítica, por D. Leo Cunibert Mohlberg, O.S.B. (Casa Editrice «Herder», Roma, 1960).

Ismael Hdez.